
O
trabalho para construir a Civilização do Amor é “importante e urgente” e
todos os agentes de pastoral juvenil, jovens e assessores, tem a
obrigação de participar efetivamente desse processo.
Com essa
provocação, começou o terceiro dia de trabalhos do XVII Encontro Latino
Americano de Responsáveis Nacionais de Pastoral Juvenil, que acontece
até esta sexta-feira (26) em Ypacarai, Paraguai.
“É importante e urgente que trabalhemos pela Civilização do Amor”,
resumiu dom Mariano Parra, bispo responsável pela seção juventude dentro
do Conselho Episcopal Latino-americano (Celam). Dom Parra lembrou o
caminhar da pastoral juvenil desde quando o papa Paulo VI propôs a busca
da Civilização do Amor, em 1975, como conjunto de ações morais, civis e
econômicas para permitir à vida humana uma condição melhor de
existência. O conceito foi incorporado no magistério de João Paulo II e
Bento XVI e também do episcopado latino-americano.
“Não é uma
nova ideologia, mas viver de acordo com o Evangelho”, disse o bispo. O
primeiro documento da pastoral juvenil para construção da Civilização do
Amor foi apresentado no V Encontro Latino Americano de Responsáveis
Nacionais em Bogotá em 1987.
CaracterísticasAs características da Civilização do Amor são, segundo dom Parra:
. Proposta total: projeto de vida que implica todos os âmbitos da existência;
. Compromisso: exige um esforço decidido e, principalmente, organizado;
. Utopia e realidade: ideia que vai concretizando nos pequenos e nos grandes compromissos;
. Tarefa diária:
. Tempo de esperança permanente;
. Projeto e missão: dimensão ressalta a partir das reflexões da Conferência de Aparecida em 2007.
A
adesão à proposta da Civilização do Amor implica um sim à vida, à
liberdade, à verdade e ao diálogo, afirmou dom Parra. Esse proposta deve
contar com participação conjunto num esforço permanente pela paz a
partir do respeito por todas as culturas e diferentes tradições e também
ao meio ambiente.
“Há uma crise estrutural na sociedade e não
podemos curar isso com panos quentes. Estão se perdendo muitos valores”,
alertou, em relação à antropologia reducionista baseada no
utilitarismo, relativismo e consumismo. Em oposição a esse cenário, dom
Parra propôs a vivência de uma antropologia personalista que reconhece
Deus como amor, o ser humano como quem ama e é amado e a existência de
corpo e espírito integrados.
Finalmente, ele apontou três amores
que devem permanecer juntos para a pastoral juvenil viver a Civilização
do Amor: amor a Deus, à Igreja e aos pobres.
CotidianoA
jovem Yarenid Santiago de Puerto Rico propôs como resposta ao convite
da construção da Civilização do Amor, uma vivência dessa proposta no
cotidiano. “Através da construção do amor, fazemos presente o reino de
Deus na terra. Devemos ser pontes de reconciliação, fraternidade, amor e
paz”, disse.
Para o delegado jovem do Uruguai Santiago Muñiz,
essa vivência da civilização do amor parte de uma conversão com
trajetória desde o encontro pessoal com Cristo para o discipulado que
fomenta a missão. “Como jovens, na hora de reclamar, somos muito bons,
mas às vezes não somos tão bons em gerar alternativas para mudanças
sociais”, criticou.
Caminho de conversãoSantiago apresentou o caminho para a conversão dos agentes de pastoral juvenil a partir de:
. Formação: processo contínuo, pessoal e comunitário;
. Compromisso: defesa da fé, valores e concepções de uma sociedade mais justa e da criação;
.
Diálogo: participação no debate sobre os problemas que estão na agenda
do sistema político, a opinião pública e nas organizações sociais;
. Testemunho: dar a conhecer a Cristo com uma vida plena;
. Missão: Igreja em estado permanente de missão. A opção pelos mais pobres e excluídos é um traço que nos marca;
. Mobilização: gerar ações concretas, plausíveis;
. Protagonismo juvenil: a melhor forma de fazer algo em favor dos jovens é empoderá-los.
A
conversão deve ser um caminho contínuo, impulsionado por Deus, segundo o
padre nicaraguense Augusto Ríos, que está na organização do evento.
“Não se pode criar conversão sem criarmos vínculos com a pessoa de
Cristo. A conversão não é moral, por doutrina, mas ontológica”, disse. A
abordagem ao jovem não pode partir de formações doutrinais, mas do
mútuo conhecimento e interesse a partir do diálogo, ressaltou padre
Augusto.
Com esse trabalho e as reflexões e exemplos da
segunda-feira (22), os grupos de reflexão propuseram linhas de ação para
aplicar as cinco dimensões definidas no 3o Congresso Latino-americano
de Jovens, realizado em 2010 em Los Teques (Venezuela).
Fonte: Jovens Conectados